Meu alguém bate, sufoca; o pensamento se agita
Calor do dia enevoado, sem corrente, aperta o peito
O medo bate, bate, dói, treme em mim e grita
O ar de chumbo que não entra livre, só contrafeito.

Minha face denuncia dor... esta não vai embora
Olho o céu, com a esperança de ver nuvens a correr
O ar puro que entrava em meus pulmões Outrora
Deus, que termine este sufoco e principie a chover.

Não tenho vinte anos, pulmões arfam com lentidão
Não sabem batalhar nesta atmosfera abrasadora
Pulmões pedem ar puro como a fome pede pão
A vida quer ficar a sorrir; não quer ir já embora.

Dentro de mim o ar é meu sorriso, ar é meu viver
Os pulmões batalham, são minha vida geradora
São o sorriso do meu pensar, que dá tanto prazer.

Meu alguém ama, ar que não vejo chegar, só sinto
Ar é um Deus dos quatro que me fazem aqui viver
Sol, verde da terra a água, e tu ar... eu não minto.


Por: Armando C. Sousa