Muitos anos atrás, ainda os filhos pediam pão
Acordei, sentindo como sendo cortado aos bocadinhos
Corri para o hospital, onde poderiam dar-me atenção
A esposa nada podia, tinha de guardar os filhinhos.

Esperando, me torcia com dores, grande o sofrer
Dr. Grande amigo me veio examinar, deu a sentença
Estas pílulas, e tudo que por ti amigo, poderei fazer
Tumor no teu estômago rebentou, e tua doença.

Poucos minutos, sangue por cima e baixo me esvaía
Senti a noite a chegar com farrapinhos de neve a cair
A tranquilidade chegou, pensei ser o último dia
As enfermeiras disseram, fechei os olhos, ar de sorrir.

Me lembra redemoinho de pontos brancos e escuridão
Um bem-estar se apoderava do corpo e pensamento
Sentia a saudade da família a atravessar o meu coração
Não havia dores, serenidade total nesse dito momento.

Horas depois acordei, Dr. e enfermeira estavam ao lado
Vamos ter homem, o mau momento para este já passou
Sorri, me lembrava do escuro e neve, que tinha sonhado
Momento de partir será igual ao que me desacordou?

Espero que seja o momento de terminar todas as dores
De entrar no mar da tranquilidade de uma vida terrena
O fim de ódios, trabalhos, arrelias, fim de todos amores
Entrarmos no nada, vida eterna, pó, vida mais serena.


Por: Armando C. Sousa