O palhaço vive com pinturas a encobrir tristezas
Com remendo avivados que fazem rir a plateia
Nas mãos borrachas fazem animais das redondezas
Sua boca faz rir com tanta tinta... e que cara feia.

Bolsos estão cheios de bugiganga; dá a criançada
Todos riem quando alguém faz buzinar o seu nariz
Plateia bate palmas e ri, todos dão boa gargalhada
No espectáculo vive a alegria; um sentimento feliz.

Agora vai um bom pontapé; cabriola o espertalhão
Rouba-lhe a gaitinha num gesto; bom malabarista
Tocar nela... fazendo-se morto estendido no chão
Vem os cavalos, que fazem correr os dois da pista.

Poeta também é palhaço, faz rir e chorar; é tristeza
Faz amor com a mulher mais linda; sem ninguém
Valados cheios de espinhos; descreve-os com beleza
Sem sair do seu cantinho, passeia pelo mundo além.

Poeta mente como um palhaço ao descrever o amor
Mostra sorriso pintado; a beleza de falsa felicidade
Sorriso de meiga tinta; encobre sua idade e sua dor
No fundo, poeta ama paz; ama no mundo liberdade.


Por: Armando C. Sousa