Hoje estão enrugadas, cansadas
estas minhas mãos
Foram nada, foram amor, foram louca paixão
Foram desejo, foram dor, foram pensamentos cristãos
Foram a profundeza do sangue encostada ao coração.
Estas minhas mãos, seguraram da
mãe o meu sustento
Pediram às de minha mãe para me amamentar
Hoje penso nessa adorada; sinto enorme sofrimento
Estas minhas mãos, ainda servem para sentir... e dar.
Seis vezes levantaram rebentos, na minha
palma cabiam
Lavaram panos, pequenina colher, filhos alimentaram
Tantas noites os apalparam, sentindo-os ver se dormiam
Tantos dias de mãos cansadas, o seu pão trabalharam.
Estas minhas mãos ainda servem
para vos fazer um jantar
Ainda servem para semear as alfaces que estais a comer
Estas minhas mãos ainda se erguem para aos céus
orar
Estas minhas mãos ainda têm a leveza que dá
prazer.
Minhas mãos tantos poemas escreveram
que adoravas
Agora, pela manha os dedos doem e custam a abrir
Estão chegando ao fim; mãos, tanto prazer me davas
Sem mãos, mais difícil a poesia do pensamento
sair
Estas minhas mãos foram para esposa e filhos sagradas.