Mas não e o meu dia só porque me chamam poeta
O meu dia teria de vir com igualdade e amor
Seria preciso que liberdade fosse primeira na meta
Em todo canto do universo houvesse cheiro de flor.

Dia do poeta, será quando não houver fome e guerra
Quando a enxadas espelharem coçadas do trabalho
Quando há noitinha tiver a porta um amor à espera
Noite serena, beijando, ouvindo a coruja no galho.

Dia do poeta não e só quando ele rima bela poesia
Quando vai ao café e ouve vozes de doçura e calor
Cantos da boca a abrir, olhos a brilhar, ar de alegria
Braços que escorregam a abraçar e beijos de amor.

Verdadeiro dia de poeta ver para todos pão na mesa
Não existir na mente do homem engano e traição
Ver o céu azul sarapintado, morno, cheio de beleza
Respeitar dever, nunca argumentar, o ar sem carvão
Dia do poeta, amor, poder juntar família a mesa.

Gente do universo, fareis meu dia terminando a raça
Todas as cores, todas as línguas em redor dando mãos
Mostrando ao mundo apenas cor do sangue se abraça
O poeta será poeta se poder tratar todos como irmãos.



Por: Armando C. Sousa