Lá
fora está escuro e um ventinho frio sem cor
Dentro de casa a escuridão faz tristeza
Hoje sábado, a esposa voltou a cama com dor
Eu fiquei a lavar a louca, e limpar a mesa
Sabia que a tarde não a passaria a fazer amor.
Aqui fiquei dividindo o tempo entre p/c e televisão
Vendo, lendo pensando, dando voltas ao passado
Sentia tristeza, o que mais me fazia dor de coração
Ensinamentos, a toda a humanidade tem enganado
Na Índia vejo mais fumo e ouço outra explosão.
Adivinho que a mentira e riqueza dão as mãos
As religiões hipócritas, todas querem mandar
Ninguém se entende ou se ama como irmãos
Ricos querem o mundo, sem escravos alimentar
Drogas bebedeiras, orgias, mete em todos os vãos.
Que tempo, que me faz sonhar em ferias na areia
Deitado debaixo da palmeira, ter água fresquinha
Procurar encontrar no mar minha amiga sereia
Sentir o cheiro de brasa, deliciar-me com sardinha
Dar um passeio nas estrelas, esposa por minha ceia.
Que tempo... que me faz pensar no chegar à meta
Deixar tristeza, fechar os olhos, partir para o nada
Ho. Tenho o meu destino, que lançou na vida a seta
Meus filhos, genros e netos, tenho a minha amada
Neste tempo frio, passo-o escrevendo, resto é treta.