Largo; caminhos de terra batida, casas velhinhas, bola de trapos
Apenas existe no meu longínquo pensar; só saudades de dor
Os amigos com quem ria e falava; passaram; não mais papos
Mas no pensar existe as belezas, que beijei lhe tinha amor.

Onde nasci, já não existe o casarão que me serviu de escola
Partiram os penedos, de meus sonhos e minhas fadas
Ladeiras; com ramos de pinheiro fazíamos escorregadas
Nos juntávamos contando histórias em noites aluaradas.

A família desapareceu do lugar, procurando amor e pão
Foi procurar poder aprender, mais liberdade e compreensão
Abandonou aquela gente, abrindo saudades a seu coração
Ali ficaram carvalhos, bugalhinhas ficou o amor a meu pião.

Ali ficou meu ponto de partida, ficou igreja ficou o sino
Ficou o relógio que badalava as horas e meias horas do dia
Ficaram os beijos de minha mãe, alegria de ser menino
Parti com os sonhos; tornar meu viver em amor e poesia.

Onde nasci, deixei ficar a vontade de vencer a amargura
Levei comigo o sonho, deixei meus amigos e irmãos a sonhar
Tornei a vida 180 graus, a honradez foi guia, minha postura
Tantas vezes lá fui, nada encontrei, só a saudade abraçar.

Varzim ficava o mar que em minha cabeça entrava os sonhos
Era ali que eu via as curvas que tornavam loucura em desejo
Também entrava o medo, ondas de dentes amarelos medonhos
Vezes nas dunas escondido, conhecia o sabor do amor, do beijo.


Por: Armando C. Sousa