Desde que principiei a pensar, nunca pensei
Verdade, aos seis anos fiquei sem pai, nunca pensei
Quando sem pão via minha mãe chorar, nunca pensei
Sem ardósia nem livros entrei na escola, nunca pensei
Quando sem poder fazer a quarta classe, nunca pensei
Jovem, vi tuberculose levar vizinhos, nunca pensei
Quando a pneumonia quase me levava, nunca pensei
Principiei a pensar quando o bigode ia pintar
Pequenino olhava o corpo das raparigas lindo, que beleza
Pensava se um dia as poderia beijar e abraçar
Cismava se um dia poderia ser pai... tanta pobreza
Aos vinte anos nunca pensei de ver um pouco mundo
Aos trinta via meu amor louca com depressão
A Dra. disse-me, nunca acredites na religião um segundo
Assim fiz... hoje, vejo que a Doutora tinha toda a razão
Não... não queria a família e vizinhos contradizer,
Dava-lhe os remédios as escondidas, só a mm obedecia
Pai e irmãos á rezar, feiticeiros com cruzes ao
anoitecer
Gastei com essa depressão do parto o que não podia
Imigrei para dar pão a meus filhos e a esposa carinho
Principiei aprendendo na universidade de língua universal
Disse adeus a minha mãe, e amigos do meu cantinho
Depressa vi o atraso; viviam de crenças em meu Portugal
Seis filhos e esposa, cidadãs do mundo, e eu mineiro
Vi a morte, me deixou passar; eu nunca pensei chegar aqui
Escrever para o mundo, escrever poesias no chuveiro
Que vida de trabalho e de amor eu assim vivi, sem penar
Que chegava aos três quartos, de século e os iria
ultrapassar
A esta hora em meu Portugal já é dia 6, hora em
que nasci
Esta poesia vos demonstra, sem rezas ainda não morri
Mas a morte lá esta a minha espera
Ela sabe, quando chega a minha última primavera.
Por: Armando
C. Sousa