Atroz calamidade, minha mente recai sobre a fome
Em tantos países, extermínio de castas, gente humana
Mães sem berços, cheias de amor, a dor as consomem
Vêem os abutres, bandos de coveiros, angústia insana
Tu vez senhor; nem terra tem para a última morada
Deitados ao mundo ingrato, sem teto para dormir
Se vez senhor, porque os deitas ao mundo sem nada
Meu deus, fico triste, ver a miséria e fome a surgir
Morte chega, corpos nus, só ossos, nada a os cobrir
Escárnio nos lábios dos governantes a rir
Todas as condenações da democracia não os chega a punir
O feroz vendaval da miséria, cobre o mundo de pobreza
Os montes desabam cobrindo aldeias
As nuvens em tropel fazem ouvir seus canhões
Governantes corruptos são lobos em alcateias
Lobos matam, destroçando países, comedores lambões
Deixam sair tiros e fome de suas colmeias
As chamas galopam incontidas, deixando só carvões
A língua alta de fumo negro, cor da morte e alcatrão
Caiem as súplicas erguidas, ao bater das trindades
Hoje houve-se o último grito duma descarnada mão
Entra no eterno sem desta vida reter saudades
Se não morreu pela fome, foi um tiro de canhão
Senhor, porque nos deixas nascer, para enfrentar a miséria?
Porque deixas em teu nome juntar tanta riqueza?
Religião e ladroagem, não e coisa seria
Eles tem os melhores palácios, nós toda a pobreza
Hoje mais uma vez te estou a implorar
Vê se és capaz de ser Deus da igualdade
Tanta mente fraca e de fome a chorar
Tanto ladrões e assassinos vivem na impunidade.


Por: Armando C. Sousa