Hoje cedinho a trovoada caiu em meus ouvidos
Minha esposa diz, trovoada voa e relampeja
Criança chamava, Sta. Barbara... entre gemidos
Minha mãe... estamos mais seguros na igreja.

Trovoada voava, pensei a igreja se incendiou
Apenas destino, e bom senso, nos livra dos lampejos
O ponto da vida me levará onde calhar; relampejou
Sentei na varanda vendo o místico, meus desejos.

Vinha a luz, rabiscando as nuvens negras do alem
Barulho ensurdecedor, sem saber porque eu tremia
Sentado admirava os mistérios que a natureza tem
Olhando água, rio de seu sangue, que na rua corria.

Minutos depois, não trovões, lampejos, não chovia
Saí ao quintal sentir o cheiro natural da frescura
Regressei beijei a esposa e vim escrever esta poesia
Contei meus anos; 75... penso que o viver é loucura.

Porquê tanta fome, miséria, tanta inveja, tanta guerra
Afinal tudo que temos, nada e nosso, tudo ficará
A igreja para encher o saco promete punição severa
Tanta hipocrisia, não tem medo de quem nos julgara.

As nuvens são cada vez mais negras mais enfumaçadas
Nas primeiras pingas meu carro fica todo sarapintado
As águas do planeta estão cada dia mais estragadas
A humanidade esta esquecida do que é um ser honrado.



Por: Armando C. Sousa