Chove amor, abre a porta, não
me deixes encharcar
Matarei tua tristeza, tens os olhos de chorar
Diz-me amor; porque e que tu choravas
Lamento a tua dor; das tristezas em que cismavas.
Sim chove muito amor, mas vejo já o sol a espreitar
Vejo os filhos e vejo netos, acorrer para nos abraçar
Não chores pela idade, deixa a alegria em ti entrar
Passamos já quarenta e nove anos a beijar e abraçar.
O dia hoje esta chuvoso, chove o sangue
do jardim
Dia d’ homem amoroso, vem amor abraça-te a mim
Abriste a porta ao amor, não entra em ti a tristeza
A chuva refresca a flor, e põem sorrisos na mesa.
Chove aqui querida, vamos para a praia nadar
Posso passar uma vida a abraçar-te e a beijar
Vamos regar a flor, mais bela do jardineiro
A doçura não traz dor ao homem que foi primeiro.
Hoje adoro a chuva, não tenho de trabalhar
Mais adoro meu amor, quando me vem beijar
Chove, vamos para a cama; não e só para dormir
Eu serei o cobertor para meu amor cobrir.
Chove, chove muito, deixa-me entrar por favor
A chuva regara o jardim, eu regarei a tua flor
Bem sei que à minha idade, não devia versar assim
Mas até tenho vaidade, de estares ao pé de mim.
Por: Armando
C. Sousa
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