Ao acender um cigarro olhava via o fumo subir
Nos dedos um calor e o jeito de minha mão
A mente falava sozinha, o cigarro a pedir
A tosse surgia com o fumo me doía um pulmão
Mais tarde me sentia quase abafar com o fumo
Prometia de deixar, mas o cigarro era minha paixão
Via-me sentir ir para o final, se não aprumo
Tinha um macaquinho em cada ombro, a falar
Gesto místico, metia a mão puxava o cigarro
Um dizia só mais um; outro dizia não... deixa de
fumar
Teimava, punha na boca, chupava o fumo vinha o catarro
Eu encantado, via o fumo subir ao ar
Um dia, pus-me a escutar o macaquinho que dizia não
Assisti a uma luta entre os dois, luta sem par
Um punha o cigarro em combustão, o outro a o apagar
Assim passei um dia só com um cigarro fumado
O vício da mão e da boca não escutavam o
macaquinho
Assim ia passando dias com um cigarro apagado
A guerra dos macacos continuava; não, tinha a vitoria
Os pulmões riam, de satisfação; sentiam alegria
O fumo de vagar foi-se apagando da memória
Assim dei comigo a escrever esta poesia
Vinte anos passaram que deixei livre de fumo os pulmões
Creio que roubei anos o meu corpo a terra fria
Nunca mais queimei dedos e mãos com combustões
Sem cigarros e macaquinhos, vivo com alegria.
Por: Armando
C. Sousa