Embrulhado
em alva mortalha, pega e beija teu Deus
Tão pequenino, mas ele comanda a tua mente
Pode fazer de todos os crentes mentirosos e ateus
Faz de todo pulmão são, dorido e doente
Podes saber que esse deus te vai matar
Mas teu almoço será beijando o cigarrinho
Teu deus na boca para seu fumo tragar
Queimando os dedos mesmo assim lhe das carinho
Mesmo sabendo que teu filhos fazes morrer
Riso desdenhoso, continuas a acender essa pontinha
A morte dos amigos e dos filhos te da prazer
Continuas a ignorar... pobre mente mesquinha
Tua casa cheira a fumo, aqui e ali o chão queimado
Um cinzeiro estendido em cada rumo
Espera para receber teu deus, o pobre coitado
Teus filhos tossem doentes, bronquite de teu fumo
Tens um deus que não o podes vencer
Mesmo que tanto queiras de teus filhos cuidar
Fumas no pátio no inverno Canadiano a tremer
Só para teu deus levares a boca e beijar
És um Zé-ninguém, sem forca de lhes dizer
não
Teus amigos esposa e filhos estão a sofrer
Sabendo que vais morrer com câncer de pulmão
Tu Zé-ninguém dizendo que e teu grande prazer
Zé, só homens verdadeiros podem o vício deixar
O deus cigarro e o deus do teu pensar de medo
Terás mais alegria e saúde se nunca mais fumar
Assim o deus cigarro, prende-te em seu degredo.
Por: Armando
C. Sousa