Mãe, difícil me esquecer de ti enquanto a vida sorrir
Já se passaram 54 anos última vez que te abracei
No último adeus choravas ao ver-me partir
Eu, meus filhos abracei, escondido também chorei.

Mãe; perdoa-me, havia uma razão
Não resistiria a fome, vivendo nessa ditadura
Tinha três filhas, e todas choravam sem pão
Para te deixar nesse pais, para mim grande amargura.

Disse que voltaria, mas não pude voltar
Chorei, mas não pode ir dar-te o último adeus
Meu passaporte foi roubado, e não pode viajar
Tive de ter a cidadania canadiana, e todos os meus.

O passaporte requeria; pediam novos documentos
Quando chegavam, a validade estava perdida
Assim pensando em ti mãe, vivia meus tormentos
Como Canadiano te fui visitar já em tua jazida.

Sabes mãe que sobre tua campa muito chorei
Alem do ramo, plantei para ti uma flor
Maldita ditadura, lágrimas regaram a flor que plantei
Vivo com, saudades recordação de teu amor.

Mãe, cada ano que passa, neste dia estou ao teu lado
Vejo minha esposa que e mãe, a beijo com alegria
Penso em ti, no teu amor, fico em silêncio calado
Com saudades, escrevo para ti, Mãe esta poesia.



Por: Armando C. Sousa