Certos dias queremos viver, enterrar a velhice
em nossos movimentos
Vivi nestas últimas semanas um desses períodos iminentes
Depois da primeira operação, nasceu o rejuvenescimento
A cada sol nascente virava-me removendo o jardim, contente
Abrandei o escrever as minhas doidices, e tristezas
Tirei um vidro aos óculos para não atrapalhar minha
visão
Então fui tornar os canteiros em flores, minhas riquezas
Com meus 75 era ver-me cavando com a enxada na mão
Ah... o meu pátio, estava um pouco carcomido e feio
Já não poderia outra vez com um metro de neve em
cima
Pego na moto serra, para ver bem como estava, cortei-o
Já não aguentaria a cadeira comprida, terminaria
trágica minha sina
A família entrou em, acção, disseram, teu
trabalho é pagar
Senti prazer e alegria em mim, no meu coração
Com enorme orgulho fui a cada um dar um grande abraçar
Felicidade viver em família, meus filhos não me
deixaram órfão
Ate a vontade de viver renasceu nesta primavera
Que coragem tem a esposa, voltou outra vez a dar-me a mão
Fez-me reviver os tempos, do recomeçar; doutra era
A vassoura... o plantar das flores, tudo lhe adocicava o coração
E assim a vida, nunca termina antes de acabar
Amor pode ter idade aos olhos de quem ama, esposa e menina
Ela ainda pensa na cadeira comprida, nela o seu sonhar
Neste viver de amor e trabalho completamos nossa sina
Por uns dias não escreverei, nem vou trabalhar no jardim
Vou descansar meus olhos, na cadeira comprida deitado
Consciente que este será o principio do viver que mora
em mm
Sentir-me pela esposa filhos e netos sempre amado
Dá-me alegria viver entre a verdura e flores do meu jardim
Ciente que a minha idade a vida é de viver assim.
Por: Armando
C. Sousa