A vida esta passando com ecos estrondosos
Noites vêm, com insónias estendidas por mares de estrelas
Esquecendo das alegrias e acções de homens bondosos
Tudo é tristeza, o mundo cuspindo em coisas tão belas
Estou ficando arrepiado com os safanões do sonho
Sinto o mundo caminhando com passos de ferro
Ouço gritos de terras que me amarfanha, é medonho
Ponho o amar de lado, no egoísmo a pena enterro
Vejo nuvens de amargura a chover insónias
Circulam guerreiros deixando-me os músculos doridos
Vejo imagens dos deuses e guerras das babilónias
Meus versos parecem sair dos rios sujos e poluídos
Com minha pena faço arder as fúnebres solidões
Enquanto os holofotes da guerra alumiam a desgraça
O sangue vermelho igual a sair dos feridos dos canhões
Escrevo, deixo anoitecer em mim, e a vida passa
Vejo os deuses dos homens a levar tudo para a fogueira
Temos de obedecer à razão do depoimento do sonho
Acordo esta a minha espera o café a ferver na lareira
Entra e fura o sono, alegra semblante, ainda enfadonho
Procuro me dispor para mais um dia de brincadeira
Agora acordado piso a neve, como pisaria a mentira
Como estraçalharia os tambores de guerra
Com meu pensar a pobreza nunca pão pedira
Ninguém iria procurar trabalho fora de sua terra
Ninguém ouviria os filhos de fome chorando
Beijos de amor seriam os canhões da guerra
Assim a vida brincando vai passando.


Por: Armando C. Sousa