Que ventinho redemoinha na bolsa de Ores
Me trás os cheiros de eucaliptos e mimosas
Por lá vagueavam todos os meus amores
Cheiros e cores deles, mais belas que rosas.

No silvado vejo o melro matreiro nas amoras
Cosmos, lindos pintassilgos comem a semente
Nos poços ouço o boiar e gemidos das noras
Meus sentidos ouvem sons e cheiro da corrente.

No alecrim ouço o zunido tridente das abelhas
Nas flores das cabaças trapo e mato o zangam
Vejo muitos zangões muito rentes das orelhas
Cobro a cabeça com o farrapo velho do chão.

Agora o ventinho que entrava nas calças rotas
Dava o cheiro de humano ao zangão zangado
Vi estrelas com dor, traseiro na água das poças
Fiquei de rabo dorido, chorava de desesperado.

Assim foram minhas tribulações de infância
Hoje velho penso, quem me dera lá voltar
Mil e uma saudades, tão grande a distancia
Mas ainda sinto ventinho e o zangão a picar.


Por: Armando C. Sousa