Aqui, terra que o destino me deu para viver
Pela noitinha vejo o sol a descer, fico a pensar
Se eu pudesse ir contigo, mesmo a correr
Cinco horas, estaria onde nasci, a passear
De manha um cafezinho na Moura ou Pica-pau
Talvez pudesse ir ao Tanoeiro a almoçar
Mais tarde no monte São Feliz, uma cerveja
Movendo folhinhas, como ventoinhas, o mar
Amigos sentados conversando abaixo de igreja
Até poderia estar em Santa Luzia a ver Viana
Ou comer umas sardinhas com bolo no alto da Penha
Mas o destino e assim, a ninguém engana
Só quem vive pode esperar que o destino venha
Contar as escadas e capelas do Bom Jesus do monte
Ver Braga por um canudo da crista da Sra. do Sameiro
Beber água fresca e cristalina em cada fonte
Viver de alegria esse dia, como se fosse o derradeiro
Destino é tão pródigo; deixa-nos acordados sonhar
Leva-nos, embala-nos, faz-nos sofrer de saudades
Quantas vezes nos dão, lábios doces para beijar
Mas o outro lado do mar, e o bater das trindades
Bate-nos na mente antes de adormecer
E sonhamos ao ver o sol a descer


Por: Armando C. Sousa