Carta
para vós, que estais num cantinho do que me da vida
Não sei se no viver de meu pensar, ou pulsar do coração.
Sei que vos sinto em mim, viver nestes meus anos de descida
O escrever para vós é minha paixão
Hoje ao acordar ouvia o sino a badalar, era ainda o sonho que
vivia
Portanto ouvia o sino, acordado dormia
Era o badalar das trindades, de todos os dias ao sol por
Era o medo da noite, do ar ruim, o pensar no diabo
Era o aparecer da lua cheia, o desafiar o amor
Era o segredo da mentira em nós calado
Eu não acreditava no que a religião dizia
Era nessas noites que sentia meu amor bem a meu lado
Momentos que ela roubava à cama
Para nós dois, pura alegria
Sempre pura como a branca camélia na porta da cozinha
Sim! Verdade tinha cheirado todas as pétalas que tinha
Mesmo afagado, mas deixei a flor direitinha
Apenas de amor e paixão orvalhado
Assim, ela conhecia o gosto que tinha mas não o prazer
Tudo ficara para aquele dia ao anoitecer
Foi também ao bater das trindades
Que iniciamos esse prazer, que tem durado uma eternidade
A junção desse nosso grande amor
E o manchar dessa flor, sempre cheirosa
Tantos anos, e ainda minha bela rosa
Estava eu nisto a sonhar ao acordar
Estava ainda o sino a badalar.
Por: Armando
C. Sousa