E de ti mar, que eu estou a falar, espelho que eu vi tão distante
Naquele tempo de minha infância, subia ao monte
O sol descia, espelhavas como diamante
Mar, via o sol se esconder atrás de ti, no horizonte
Estas vivo ainda no meu pensar, a primeira vez que te vi
Era a festa da Sr.ª das Dores na Povoa de Varzim
Da tua grandeza, de teu mágico movimente, enamorei-me de ti
Cristas branquinhas, bravo, molhado, mar sem fim
Enterrado na areia pensava, se haveria outro lado
Tampouco era meu saber, sem imaginação ou instrução
Com tantos beijinhos na mão, fiquei de ti apaixonado
Mar, tantas caravelas engolistes, a tantos roubastes o pão
Um dia voei sobre ti, tantas horas vi tua grandeza
Fui abraçar outras gentes, trabalhar na pátria adoptada
Deixei-te por não teres pão, meu chão, minha pátria Portuguesa
Distante me lembro de ti mar, ao encontrar uma poveirinha
Mulher que transformou minhas tristezas em alegrias
Hoje Alzira dos poetas espalhados pelo mundo, e a rainha
Ao declamar desses poetas, suas saudades em poesias
Poveirinha, és a voz da saudade desse meu chão
Estiveste da Pátria, ausente, sentes o sentir da alma imigrante
Voz do poeta na rádio digital de Famalicão
És as ondas de saudades do Português distante
És timbre da voz que sai de meu coração
És Poveira, vens do meu mar
Desse mar, que do alto do monte eu via espelhar.


Por: Armando C. Sousa