Depois de uns tempos a chorar e pedir maminha
De dia, queria um colinho e brincadeira
Sonhava em não mijar de noite, ter a cama enxutinha
De manha adorava a moda, e o fogo da lareira
Dias de sol, adorava rabiscar na areia
Ver trabalhar o tear de pau
Admirar a beleza de pano que saia da teia
A tardinha umas codinhas agua pé e rachas de bacalhau
Crescia, amava brincar, jogar ao pião
Entristecia quando minha mãe chorava
Olhava a maceira sem côdeas ou pão
Minha mãe sem nada para me dar, me abraçava
Panela ao lume alguns feijões, um pouco de redenho
Couves traçadas um pouco de hortelã ralada
Ditadura e guerra filhos, e tudo que tenho
Mas vamos vivendo, cara no ar, honrada
Depois das trindades rapazes e raparigas cantavam
Cantigas lindas de alegria e embalar
Aqueles namoricos se juntavam
No escuro da noite se ouviam beijos estalar
Cresci, casei, durante a vida e amor que venho distribuindo
Ver lugares do mundo que e ato lindo, e Deus criou
Nossos olhos envelhecendo mas vão sorrindo
Ficam saudades do passado, que não voltou.


Por: Armando C. Sousa