Chega a madrugada, partem os fantasmas
Vezes são malvados nos lençóis, enroscado
Deixam-nos o corpo triturado nas camas
Quantas vezes o fantasma e pessoa amada
Vem a madrugada, vai crescendo a solidão
Já acordado sinto chegar grande nostalgia
Horas geladas que me arrasa o coração
Saudades do fantasma que me deu alegria
Sinto sombras de ti chegando aos olhos
Olhos verdes não me dizem nada fechados
Cabeça caída e a grunhir nos restolhos
Ancas movendo espremendo, apaixonados
Madrugada vejo teu perfil de coxas roliças
Lábios apertados, carnudo, gotejando amor
Mais acima uma touca de pelos ruivos riços
Doces teus gritos, torcendo, gemendo sem dor
Fantasmas assim cobrem a cabeça
para viver
Não quero que acabe mais, doce madrugada
Olhos verdes coxas roliças dá enorme prazer
Verdade, amava o fantasma em mim abraçada.