Depois que entrei na escola, jogava com o pião
Dava alguns chutos na bola, nesse jogo do lugar
Se me pudesse entreter com bola de meu irmão
A bola feita de trapos que podíamos encontrar.

Um dia fiz minha bola, mas que grande maravilha
Os maiores pegavam nela para a sua cara encostar
Esta meia ainda cheira, esteve encostada a virilha
Daquela perna bem feita, a mais linda do lugar.

Minha irmã era mocinha ao domingo usava meias
Seviciava-as velhinhas, para outras não ter dinheiro
Mas quando malhas fugiam, subindo onde anseias
Minha Irmã não podia usar, novas meias era o meio.

Com elas fazia a bola, para todos os amigos jogar
Era dobra sobre dobra, assim tapava os buracos
Se lembrassem da virilha onde meia podia estar
Toda a aldeia tocar queria, minha bola de farrapos.

Hoje quando me lembra, grande a minha inocência
Jogos, voltando da escola, com bugalhas e pião,
Era vida de criança com sol chuva ou inclemência
Jogos, aprender letras na areia, ensinava meu irmão

Mas a bola que eu amava de meias de minha irmã
Farrapos e Lá de ovelha que eu no monte cortava
Minha criancice, foi este o maior e delicioso mana
A bola de meias e trapos que na aldeia se jogava.



Por: Armando C. Sousa