Deixei a janela aberta para o ar me vir beijar
Cheirar o perfume das flores
Abraçar a luz do luar
Os diamantes do céu, em meus olhos cintilar
Acordei, ai que tristeza estava todo mordido
Mosquitos e trombeteiros
Me acordaram, com a dor e ruído
Misturando os perfumes, os mais excêntricos cheiros
Então fechei a cortina, deixando entrar o ar
Entrou o cheiro de amor
Ais, gritinhos, beijos, e abraçar
Eram gemidos de alegria, prazer nunca traz a dor
O perfume do amor com o fraco desarrolhado
Dá ao homem virilidade, dá ardor e loucura
Procura ter o frasco de perfume tapado
Que está naquela mata densa e escura
Ate a cortina ria, por não ter fechado a janela
Querer cheirar e beijado pelo ar
O frasco de boca inchada, também levou ferradela
O perfume perdia, queria rolha para o tapar
Eu via a cortina rir, gargalhava e abanava
De me ver tanto coçar
O sobreiro não crescia, a cortiça esmorecida
Para o frasco de perfume tapar
Perfume como o bom Porto, é pão da vida
Sem rolha com tempo, vai azedar.


Por: Armando C. Sousa