Deitei-me e principiei a voar no meu pensar
Subi ao pináculo, com olhar passeei todo o meu chão
Via salgueiros por entre campos e boiças a caracolar
Verde do rio Pel, atravessa a Cidade de Famalicão
Do outro lado o campanário da igreja de S. Mateus
Mais alto ainda Santa Tecla em Oliveira
Chão que eu pisei com amigos meus
Nossa mocidade, amigos; tão sã, tão verdadeira
Que bem me sentia a voar no meu sonho
Que momentos de pura felicidade e alegria
Os sinos de Delaes ainda os ouvia a tocar Ave-maria
Novaes, onde um dia amarramos um burro ao sino
S. João, a noite de vasos roubar e leva-los a igreja
Tradições que aprendemos em menino
Oh... quem me dera voltar... desse tempo tenho inveja
Do Santo Amaro, do São Brás, dos confetins
Das músicas nos adros das igrejas em combate
Dos bombos e gigantonas. Dos cheiros, era e jasmins
Das malandrices, e o sino a tocar a rebate
Pisei meu chão no domingo de ramos madrugada
O enfeirar o largo da aldeia
Os jogos de futebol, as zaragatas
O cantar dos reis, as moças, da pinga cabeça cheia
Das noites escuríssimas e de lua cheia
Estremeci, cai da cama, estive a sonhar
Era do meu chão que me estava a lembrar.


Por: Armando C. Sousa