Oh, quantas vezes em papel usado eu escrevo
Sem flores ou perfume, deito nele queixumes
Pensamentos de curvas delicadas em manhãs de amor ledo
São alívios dos sonhos, tenebrosos negrumes
Amarro-me aos mistérios esplendorosos, centros de prazer
Juntos, estes dois corações que divagaram na distância
Suados do vai vem que estiveram a fazer
Deixo a lua a espiar-nos, como eu espiava em criança
Com eles aprendi a gritar de amor e prazer
Levanto-me, por vezes escrevo em papel já usado
Ali deixo minhas memórias de convulsões
Fica na gaveta com o que escrevi do outro lado
Estes momentos de amor, nossas paixões
Nem o vento nos acorda, nem muita chuva a bater
São momentos de nós os dois, estes segundos de
prazer
Como no papel, meu amor em mim quer reescrever
Escrita simples que eu logo posso ler
Entrando nas entranhas, deixando-a de combustão perdida
Volto a ler e escrever
Assim de nós dois, o destino fez vida.
Por: Armando
C. Sousa
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