Nos tempos que já lavam, o boi era muito escravizado
Coitado, de fuinho no focinho, laborava puxando o arado
As moscas eram diabos, nos flancos a ferrar
O pobre só tinha o rabo para as moscas escorraçar
A carretava a pedra para construir o lugar
Sempre os diabos das moscas nos flancos a sugar
Se o lavrador era bom, e pegava num raminho
Enxotava de cada lado mostrando o seu carinho
Se o deitavam para o monte cheio de mato carnal
Picava-se nas suas pernas, o pobre do animar
As moscas adivinhavam acorriam ao lugar
Vendo sangue correr vinham-se alimentar
Quando o punham na nora, um saco para o vendar
Andava sempre de volta para toda a água tirar
O pobre então suava com sua espuma a cair
A cede nunca matava com tanta água a sair
Puxava carros de milhos e mato para se deitar
Sempre os diabos das moscas a trás dele a ferrar
Com a trampa que fazia fechava-se a porta ao forno
Era mesmo pão gostoso, quentinho ou ainda mormo
Quando estava velhote cansado de trabalhar
Levavam-no ao matadouro para com choupa levar
Fazia a alegria da aldeia sua carne preparada
Com uns copinhos de vinho ai que bela churrascada.



Por: Armando C. Sousa