Natureza e a magia duma vida vivida desde criança
Natureza e mãe do pão da água do ar e da vida
Natureza nos cria castigos e nos da a bonança
Natureza nos abraça depois de nossa vida perdida
Desde criança que corri pelos campos apanhando lírios
Ia ouvir os meros e pintassilgos a cantar
Verdade que a natureza me negou pão e deu martírios
Me fez homem, tudo foi para me ensinar
Dependurei-me em ramos, andei no bosque atrás de esquilos
Fiz casinhas com as meninas da aldeia
Andei no monte com uma palheira a tirar grilos
Semeei milho, batatas, e feijão
Colhi uvas e as andei pisando no lagar
Tudo fazia para que pudesse ter pão
Fazia de tudo para tudo a mãe natureza pudesse dar
Andava nos valados aos mal-me-queres
Procurando tirar deles minha alegria
Corpo de criança, já pensava em mulheres
Amava-as queria viver com uma qualquer dia
Ia apanhar maçãs nos campos alheios para comer
Passava o tempo a fazer azenhas nos regueiros
Ver o sol pela manha era um prazer
Melhor que receber da mãe natureza uns chuveiros
Era este o meu pensar de criança, de calça arregaçada
Jogando a bola bogalhinha, arca, e o pião
Natureza é minha mãe, minha deusa adorada
O altíssimo deu à Natureza todo o poder da criação.


Por: Armando C. Sousa