Debaixo duma azinheira, cansada de trabalhar
Uma moça bem trigueira
De olhos verdes luzindo a bailar
Um chaparro me cobria dos raios desse calor
Os meus olhos a moça despia
A trigueirinha cobria com desejos de amor
A campina de espigas que ela veio ceifar
Queima todas as raparigas
Que ao sol se quer desnudar
Amo a mulher portuguesa
De todas a que tem mais valor
Trabalho é sua nobreza
È trigueira do calor
As papoilas das campinas
Ficam mesmo envergonhadas
Por ver as faces rosadas, dessas trigueiras meninas
O que viram as azinheiras é do homem castigo
As moças do sol trigueiras
Mas branquinho seu umbigo
Do meu Minho ao Algarve a trigueira tem valor
Traz o trabalho na pele
Pela vida suporta o calor
E bonita a sua cor, a mulher Alentejana
Mas ainda tem mais valor, estendida na minha cama.



Por: Armando C. Sousa