Quando em minha morada o sorriso sai para além do sonho
Na alvorada da juventude vejo vestir-te com o lampejo do desejo
Tuas mãos passam como sedas de emoções, prazer medonho
A sede de meus pelos grita, quer mais que um ardente beijo
Na noite redemoinham meus anseios
A alegria salta de teus poros, dos fundos de teus espaços
O mel brota a cada pulsar de teus seios
Eu fico preso nas teias da loucura de teus braços
Vivemos na infinidade das estrelas, naquele oceano de luz
No meu corpo deixo o arrepiar de meus pelos famintos
Alisados pelas tuas alvas rendas, que me seduz
Deixando o que mais adoras explorar teus labirintos
Estás vestida de nada nessa noite do festim do amor
Teus lábios e tua língua, no meu céu ficam enroscados
Fabricando o suco que se transformara na mais bela flor
E tu para a vida, minha rainha, minha amada
O beijo e as palavras sedutoras são apenas bonitas ao pudor
Electrificam, formando num quilowatt de loucura
Talvez mais tarde se tornando em inquietude e dor
A razão que mora será de amor, na vida essência mais pura
Vivemos num universo, que rasga a tristeza ou nos acarinha com sorriso
Depois fica a saudade quando a vida não pode mais
Para nos enganar pensaremos num outro paraíso
Mas a verdade e que partimos e não voltemos mais
Nada terrestre fará falta, nada nos será preciso.



Por: Armando C. Sousa