Meus lugares, cedo vos deixei para não voltar
Mais tarde passei mas não vos conheci
Meu coração não se esqueceu de vos amar
Do lugar desapareceu a casa velhinha onde nasci
Subi a S. Miguel o Anjo por entre pinheiros
Do cheiro dos eucaliptos que saudade
Do cantar dos melros nos socalco dos loureiros
Bombear-me nos ramos de carvalho, minha liberdade
No quintal cheiro de hortelã e alecrim
As figueiras onde eu e Alcino brincava
Os figos brancos e vermelhos delicia para mim
As rodas e danças no largo era o que mais amava
Ruivaes, viste-me transformar em vigor
Minha pureza verdadeira, alegre e contente
Tuas moças, aquém tanto juravas amor
Talvez nem sempre procedesse com gente
Voei para Rebordoes com asas e apetite de condor
Em ti ficaram noites de delicia, terra amiga
Troquei teu céu, por uma promessa mais alem
Foi de amor e de esperança, a esposa que o diga
E mais verde do outro lado, promessa que a vida tem
Portugal; te troquei por uma aventura
Quis ajoelhar-me noutro trono sem vaidade
Mas havia trabalho e pão com mais fartura
Não vivia amordaçado, tinha liberdade
Na minha mente revejo esse lugar
Onde deixei para sempre sangue irmão
Amigo, em sonho sinto teu abraçar
Aperto-te com amor, a meu coração.
Por: Armando
C. Sousa
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