Mãe quanto amor e desejo foi no beijo recebido
Sim mãe, parte de mim foi desse beijo
Quantas partes do leite da cabrinha que foi bebido
Ou dos microorganismos do queijo
Sei que fui recendido do desejo e amor com certeza
Da união, do sagrado dever
Mas quantas partes sou da mãe natureza?
Das batatas, do pão, de todo o comer
E da água imaculada que me deu beleza
Mas mãe, de onde veio a poesia, nascida em mim?
Porque tenho inclinação para o cheiro das flores?
Estou triste ver o fumo e gazes poluir este jardim
Universo onde deveria haver apenas amores
Mãe já lá vão tantos anos, que te dei meu adeus
Como eu de ti, de mim nasceram filhos
Tive de ir procurar pão, debaixo d’outros céus
Assim tenho dobrado todos os meus carinhos
Tenho ido visitar a terra que te fez pó
Deixo as lágrimas regar minha dor
Lembrado de ti tantos beijos, mil carinhos de amor
Mais uma vez chegou o dia da mãe
Eu não posso nem quero esquecer
Queria beijos, conversar contigo também
Para me levares junto a ti, quando eu morrer.



Por: Armando C. Sousa