Eu parti cheio de nada, botas rotas
e garrafão
Disse a minha amada, levava saudades do berço
Deixei meus amigos e meu chão
Do chão, das mimosas e eucaliptais, não esqueço
Saudades dos romances de Castelo Branco
Grande escritor da minha terra
Tantos anos, mas me lembram no entanto
Matava a fome a ler, nesses anos da II mundial guerra
Deixei a inocência, entrei na universidade mundial
Segui com determinação e paciência, estes
tesouros
Nunca partiram do peito os Cartagineses de Portugal
Os Iberos, os Romanos e os Mouros
Guardo em mim as fadas encantadas
De quem tenho arrancado a escrever tantos tesouros
São sem duvida minhas personagens amadas
Dei ao mundo meu sonho, meu mar, minhas sereias
Todo este meu escrever me faz vibrar de alegria
Amei os montes, romarias nas aldeias
Hoje ao relembrar, tudo se torna em poesia
A ditadura nada me quis ensinar, me dava fome
Parti seguindo meu fado meu destino
Aprendi que tudo e fado, deus não dorme
Veio comigo quando nasci, era menino
Vou pisar as areias pisadas por descobridores
Ver os penedos que receberam deles um ultimo olhar
Ver as areias onde choraram tantas mães tantos amores
Vou ver o sonho dos valentes e seu mar.
Por: Armando
C. Sousa