Ouço minha esposa a torcer-se e gemer
Eu impotente, pouco lha posso ajudar no dia a dia
As dores que ela sofre não as posso ter
Mas ela sem querer me roubou toda a alegria
Enquanto o tempo passa vou mil vezes para junto dela
Fico pensando quantas vezes me deu prazer
Todo meu mundo e negro, com o sol entrando na janela
A ouvir o choro desejaria não viver
Agora faço o jantar, o vou levar a cama
Puxo sempre para ela o comer
Eu engulo os nos na garganta com dor insana
Ponho toalhas de agua quente no joelho dorido
Depois sacos de gelo muito frio
Enquanto o tempo passa muito tenho sofrido
Que fazer, e minha esposa, e nela tenho brio
Chega a noite, muito me vai fazer doer
Sem lhe tocar, quase a sonhar e ouvir seus gritos
Nao basta não ter momentos de prazer
Ouvir aqueles seus ais de sofrimento aflitos
Os beijos que sempre parou toda a dor
Juras de amor ate a eternidade
Hoje sao apenas ais de dor
Fazendo esquecer tanto prazer e felicidade
Gemidos de tanto gostar, pulava
Meio século de sinceridade
Sofrerei mas serás sempre a minha amada
Para ver sorrir ainda jogo uma chalaça
Entretanto o tempo passa.


Por: Armando C. Sousa