Entre a insónia e o sonhar bateu o vento
TV. falava, eu não ouvia, a tristeza me invadia
Queria dormir e sonhar, mas sem lamento
Lá fora, não sei se era o vento a bater ou se chovia
Espreitei dentro de meu coração, era o vento
Era uma tempestade dentro de mim, de escuridão
Eu não a via passar, estava atento
Batia o vento, alertando meu coração
Olhei o céu, vi estrelas a piscar e a mover
O chão molhado esteve a chover, dizia o vento
Mostrando-me o lado escuro do prazer
Mas vai poeta, vai dizer adeus a teu torrão
Esta e a última vez que o irás ver
Leva contigo o amor de teu coração
Agora vi e ouvi porque o vento batia
Não quer em mim tristeza e paixão
Pediu para dar ao amor animo e alegria
Ver as festas, antoninhas gigantonas a dançar
Comer uma mariscada a beira mar
Sentar-me com ela escondido atrás dum penedo
Na areia, nos beijar e abraçar
Mas foi o vento que bateu e segredava
Vai ver teu mar... Teu torrão
Vai poeta, vai ver tuas amigas sereias
Não te esqueças de trazer como recordação
De cada beijo, uma pedrinha branca dentre areias.
Por: Armando
C. Sousa