Tanto tempo passou sem escrever sobre o amor...
Tanto gostava de falar de lábios bicos e flor
Era meu jeito e força fugaz
Tudo nasceu na brincadeira com moças, em rapaz
Vinha da minha raça, Celta e dos lusitanos
A alegria de escrever meus desenganos
Então chorava de amor com graça
Tornava em feiticeiro o riso da minha raça
Esse sentimento que abrasava
Enchendo a pena, cheia de amor, que queimava
Meus olhos azuis cirandavam, brilhando
Deixando outros olhos negros chispando
Nessa ocasião seus desejos vinham loucos de paixão
Preconceitos caiam, tremiam os peitos e o coração
Olhava-me mantinha calado mas de corpo em convulsão
De meus olhos saia o amor, e grande tesão
Se alguma coisa restava em mim era pudor
Então com meiguice abraçava e beijava essa flor
De olhos meigos no chão pedias colinho
Então pedia para ver o vestido cair devagarinho
Caia, tuas mãos cursadas sobre os seios
Me tornavam louco de anseios
Ansiava sentir contigo o prazer da dor
Sentir teus bicos tesos roçando meus pelos do peito
Numa loucura de balouçar perfeito, entrando e saindo do vulcão
Sentindo sair rios de amor de meu coração
Em nos sentia o prazer e o tremor
Querida, tanto tempo que se passou, sem escrever.
Em este nosso sublime amor
A nossa idade quero manter viva, a chama do dever
Das nossas quatro paredes, em pensamento
Dos cobertores de nossa cama suados do momento
Poemas de amor que tanto gostava de escrever
Com o amor de nosso prazer.



Por: Armando C. Sousa