Hoje,
sou apenas metade do que foi meu grito
Outra metade, mudos gemidos, nos nossos momentos de amor
Embrulhava-me nos teus contornos, prazeres aflitos
Nos canteiros do meigo luar, depois do sol por
Eras consolo, desde o cruzamento das virilhas as orelhas
Meus gritinhos eram essência do doce prazer sem dor
Esses gritos continuaram por muitos anos debaixo de telhas
Explodes de prazer ao sacar o suco doce de tua flor
Lençóis ficam encarrilhados e caídos
no chão
Teus cabelos desalinhados no travesseiro
Procuras ainda endurecer o membro com a mão
Meu grito e apenas metade do primeiro
O mundo gira, nos passamos mais depressa com o tempo
Temos poucos dias para continuar a fazer amor
Apaga-se a forca do grito sem um ai ou um lamento
O cheiro inebriante das virilhas já não e igual,
é mais fedor
Esta metade de meu grito, leva-o contigo ao paraíso
Lá formaremos um clube de prazer
Gritos que cheguem ate ao dia do juízo final
Quando entrarmos no eterno escurecer e adormecer
Mas afinal ainda Queria passear no domínio estrelar
Poder contar os passos ao redor dos planetas
Viver contigo num eterno abraçar
Seguir o infinito no rabo dos cometas
Adormecer contigo com o som de meu gritar.
Por: Armando
C. Sousa
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