Lembras-te amor, do nosso primeiro encontro?
Seguias caminho afora jeito de pés magoada
Eu acelerei o passo principiado, falando de pronto
Ia a caminho de casa, nele encontrei minha amada
Foram momentos como manhãs lindas de primavera
Recebi por um momento uma decepção
Era rapaz, tudo para mim natural nessa era
Não ias no caminho de casa, apenas visitar um irmão em Romão
Quis o destino me levar contigo e ver onde moravas
Pelo caminho dizias, prepare-te para desilusões
Assim vi que não mentias, era longe onde moravas, Rebordões
O destino quis juntar nosso amor
Cinqüenta anos passaram, ainda tem o mesmo sabor
Que quando nos sentávamos nas escadinhas dentro do quintal
Ali ouvia minha consciência descrever o amor que me tinhas, e eu igual
Eu chegava cansado e meditava
Como era nobre tua consciência, eu mais te amava
O sol da tarde quente e dourado meu inseparável companheiro
Se punha a espreitar, ver-me beijar minha namorada
Anos de beijos ardentes como o primeiro
O nosso amor trocava carinhos abraçados
Respeitando o pudor, quase deitados
Passeávamos de mãos dadas no caminho para disfarçar
O ato de pureza sublime, queríamos guardado para depois do Altar
Queríamos a primeira noite com gritos de dor e de amor
Sem dormir os dois a sonhar
Colorir a flor com o lápis da vida num beijar
Lembras-te amor?
Uma menina formosa, que linda flor
Mais uma lourinha, outra maravilhosa veio então
Mas quanto eu sofri, ao ouvir que era diabo em ti, eu dizia depressão
Valeu minha confiança na ciência, desprezar diabos e deus
Poder-te abraçar ainda hoje de mente sadia, com minha emoção
Sem me importar com o rótulo de ateus
Lembras-te amor porque ainda hoje nos amamos?
Porque na ciência e em nosso amor acreditamos
Que o destino nunca me deixe caminhar na vida, sozinho
Que nosso amor um dia morra amarradinho.


Por: Armando C. Sousa