Estou quase a ir para
te ver, vou-te abraçar
Quero beber, com meus amigos, quero brindar
Vou ver espigas, cantar cantigas a desfolhar
Voltar a infância na brincadeira eu vou dançar.
Vou subir ao monte, onde em criança ia cantar
Pequenino, ali cantava e poetava, que alegria..
Ninguém ouvia, para de louco não me chamar
Alto do monte foi a fonte onde nasceu a poesia.
Quero beber na fonte D’ores; lá a mãe
cantava
Quero voltar, estar sozinho em frente ao mar
No lavadouro, com tesouro, que panos mijava
Minha mãe de lavar cansada, via também chorar.
Quero ver a capelinha dos passos e do calvário,
Quero ver o campanário onde repeniquei o sino
Quero pisar o caminho que passa pelo Macário
Quero ver meu fadário que lá deixei em menino.
Vou ver vindimas, e as meninas as uvas cortar
Eu queria ver como antigamente as uvas pisar
Vinho e pão de milho, sardinhada, me regalar
Trinar guitarras uma voz fadista ouvir cantar.
Ver o pó, cantinho de minha mãe; com ela falar
Pedindo perdão, minha ausência, quando partiu
Meu irmão também, nem um abraço lhe pude
dar
Procurava pão foi meu destino que me seguiu.
Quero me ver frente ao mar, conversar com a areia
Para as águas me contar os passos da minha sereia
Quero que volte a meu pensar, para eu vos escrever
As histórias mais bonitas que vos encham de prazer.
Por: Armando
C. Sousa