Como eram doces amor, essas tardes a namorar
Os dois cheios de ansiedade ver a noite a chegar
Nosso pensamento dentro do nosso corpo a passear
Murmurávamos coisas que nem deus podia ouvir
Sentíamos o vento, as folhinhas a bulir
Levavas amor na tua... mão a minha
Como se fosse um doce lírio que ela tinha
Em ti dava o braço com respeito e amor
Juntinhos, olhávamos o sol por
Eu olhava as saliências de tua blusa
A desabotoavas, coisa que o homem nunca recusa
O vento te dava o primeiro beijo
Eu seguia-o no meu anseio
No alimento da vida deixava meus lábios roçar
Teu corpo em combustão tremia
Nossa juventude radiava de alegria
Por momentos ficávamos calados cheios de prazer
A lua chegava se punha a espreitar
Entre sombras nos escondíamos de seu alumiar
Juntavam-se as harmonias da vida e as astrais
Beijávamos como passarinhos nos beirais
Gritinhos sem dor, só de amor, surdos ais
Só o vento ouvia nossos prazeres de puro amor
Éramos unos, jardineiro a regar a flor
Prazer tão doce, era um céu
Dois corpos que meio século depois se amam
O meu e o teu...
Por essas tardes, lagrimas derramam.


Por: Armando C. Sousa