Num outeiro do monte S. Miguel do anjo a olhar
Minha mente encontrou o espelho do mar
Fiquei deslumbrado com a aquarela de tanto esplendor
Hoje está transformado num monte de lembranças sem par
Meus olhos vêem de cima a terra pátria, meu grande amor
Belo o azul, o escurecer do céu, o sol a descer sobre o mar
A ausência se agarra a velha pátria com dor
Voei, vim ver-te, mil saudades de te abraçar
Setembro; do cimo via os campos de espigas amarelecidas
O verde das videiras... as verduras
O zunir do vento parecia ainda o cantar das raparigas
Era o pensamento pensando nas vindimas e uvas maduras
O tempo de rapaz fugaz com elas desfolhando espigas
Olhava ao redor para os campanários
De onde tantas vezes ouvira o repenicar dos sinos
Neles, existe ainda a memória trágica de meninas e meninos
Lembranças das hóstias e vinho por consagrar na sacristia
Onde o padre com os meninos do coro, se despia
Tristes lembranças do que ouvia contar
Hoje ao pensar nisso de raiva me faz chorar
Oh ... o campo onde toda a rapaziada ia chutar depois da ceia
Era ali que se juntava toda a alegria da aldeia
Eu tantas vezes subia ao pico para abrir meus pulmões poetando
Ou cantigas de ninar de meu tempo... cantando
Olhava o penedo da moura de que ouvia contar histórias bizarras
O zunir que dele saia parecia ouvir trinar guitarras.
Eram as trindades, os sinos das aldeias a badalar
Ficava com medo... deitava a correr
Chegava á aldeia quase noite, sem ver
Sentados nas escadas contávamos das mil e uma noite histórias
Íamos dormir
Para ao outro dia da aldeia ao pico subir
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Por: Armando C. Sousa