A mente não parava de tocar meu coração
sangrando
Eram saudades das raízes e amigos que lá deixei
Sofria, tantos anos, que andei suspirando
Torrão e sangue, que em jovem tanto amei
A força do destino me agarrou
Dizendo, chega de tanto sofrer e chorar
Um avião, mar atlântico me atravessou
Com decepções, pela última vez os vais
abraçar
Entrei no cemitério, morada de tantos amigos
Flores não tinha, as lágrimas caiam
Ali, só solidão, cheguei tarde, meus castigos
Apenas meu pensar, olhos amigos não viam
Familiares abracei, eu já de memória esquecido
Sobrinhos de França encontrei, de satisfação
riam
Outros que tanto amei já tinham falecido
Mas os que viviam que satisfação
Sentia ainda o fumo de tanto em Portugal ardido
Os olhos riam falando mais que o coração
Não adivinhando o destino abracei
A cunhada Maria, em juízo, ultimo abraço que
dei
É difícil prever o destino, eu não sou
Deus
Mas a tantos em Portugal que muito amei
Creio que foi este o meu ultimo adeus.
Por: Armando
C. Sousa
Canadá
- 27/09/06
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