Sempre, sempre o pensamento a navegar
Com barcos de papel da minha tenra infância
Nas águas de um reguinho que ia para o mar
Mas eu não sabia percorrer essa distância.

Tenho uma luta com o pensamento do passado
E por vezes acordo a estremecer na madrugada
Venci a fome, imposta pelo regime degredado
Venci a ignorância, ali era a mentira que ensinava.

Vivia uma vida amarrotada, medo ignorância ímpar
Minha Mãe e meus irmãos só tinham pobreza
As lágrimas que choravam, ensopadas sem pão
Mais amarrotado ficava com o sofrer do coração.

Mas há sempre uma luz; um luar, um sol que nasce
Seus raios e brilho, dá esperança, aquece, e faz viver
A boca abre-se num sorriso, pensando; me abrace
Esse sol esse luar é para todos, também o posso ter.

Corri, corri atrás do sol, procurando os meios sem sofrer
Deixei ficar meus barquinhos de papel sós a navegar
Quebrei o retrato da negrura que o governo me fez viver
Encontrei a lua e o sol procurado, mas só depois de imigrar.

Pensamento que em criança navegava com barcos de papel
Hoje navega no mundo universal da Internet e do saber
Procurando educar ensinando o que posso a meus netinhos
Para que meus filhos trabalhem, e do seu trabalho viver.

Espero a hora de ser chamado a ir fortalecer, a natureza
É este o fim que há muito me está predestinado, pela certeza
Mas procuro deixar alguma coisa para em vós viver
Aquilo que sofri quando criança, estes poemas, estais a ler.

Por: Armando C. Sousa
10/01/2000


Enviar



Livro