Fui nada, partículas de poeira
Nos astros fui átomos, fui nuvens de algodão e água
Fui pó na terra criadora, fecunda barreira
Fui microorganismos, fui erva e bichinhos, amor e mágoa
Fui tudo que podeis imaginar, sexo e tesão
Fui leite da cabra e de ovelha, vim dos cornos dum cabrão
Pela bíblia fui nada, barro, costela, cobra, e maçã
Nasci do prazer; sou manã
Dizem que sou filho do pecado, eu digo do gozo
Sou filho da luz guerras estrelares, dos deuses
Sou filho dum vai e vem gostoso
Sou filho do poderio magnético dos céus
Sou filho dos sonhos e medos
Amigos, sou filhos dos sexos e segredos
Sou filho da macieza de amor, e dos beijos
Sou filho da fome de companhia, e fascinantes lampejos
Sou filho da poeira programada
Das ondas e tremeliques, do sangue em massa
Duma forma em curvas e fendas, tanto amada
Sou filho da morte e das desgraças...
Sou filho das influências harmónicas
Talvez de trejeitos carinhosos de risos e chalaças
Talvez de explosões ancestrais atómicas
Sou filho do universo, desta sagrada beleza
Sou filho dos cosmos e da mãe natureza
Estes são, o meu deus...
Sei amigos, se não cremos no vosso, somos ateus.

Por: Armando C. Sousa
Canadá - 26/02/2006