Feitas por marceneiros de castanheiros e carvalhos
Navegam num mar de vinho, que faz a vida cantar
Depois de beber um copinho, parecem leves os trabalhos
Ao ouvir da concertina ate nos fazem dançar
Sulcando águas do douro, noites de luar e frias
Navegando nos rebelas, andavam bois a puxar
Chegam umas pinguinhas, mata tristezas, dá alegrias
As pipas ficam vazias de tanto as ninfas chupar
Dançando nas águas nuas, noites cheias de luar
As uvas da margem do douro, tem um sabor requintado
Pintam a cara as raparigas que as andam a colher
Quem beber seu néctar, canta e anda empenado
Nas danças do fim do dia saltando ais de prazer
Nas caves de Gaia o vinho e envelhecido para melhor paladar
Entra em bodas e casamentos, faz delicias do altar
Faz fogoso o marido quando esposa quer saltar
Pipas de carvalho torcidas, queimadas para sabor
Apertadas e ressequidas, guardam do vinho linda cor
E uma alegria, fim da vindima nestas vinhas
Regalo o brincar das moças, com as uvas pintadinhas
Pela noite na pisada deixam o mosto lá chegar
Assim fica arrepiada, sem o prazer de gozar
Mosto molha a passarinha na alegria da pisada
Também molha o passarão que fica quase sem nada
O carvalho Português leva O Porto a todo o mundo
Bebe o rei ou burguês ou o maior vagabundo
Só o cheirinho das pipas me podem fazer dançar
A alegria das vindimas e pisadas do lagar.



Por: Armando C. Sousa

Canadá - 03/03/2006