Ali nasci e cresci, torrão ermo, Portugal dos amores
No meio da ignorancia, o sangue ferveu e desflorei
Como uma roseira que se desfez em flores
Com ela, picos e perfumes, o mundo vi e atravessei
Fui tronco rígido e rude; despidos do medo seguimos
Essa roseira foi meus ramos onde me abriguei
Em cada mão um martelo, ela com graça imergimos
Na casa os gestos tinham humildade, olhos venciam o amor
A arrogância vencia o trabalho, línguas dificuldade que vimos
Com dificuldade perguntávamos, aprender onde for
Nem os invernos geladíssimos me faziam quebrar
As flores do tronco da roseira eram lindas e viçosas
Sentíamos a cobiça, e olhos de as querer cheirar e regar
Precisavam de escola, aprender como se abrir botões em rosas
No fundo da mina, no estio inferno de calor
Nos fins de semana no lago a pescar sozinho cantarolava
Quantas vezes junto a mim o meu grande amor
Num despique terno vendo quem mais trutas pescava
Ardente queimaduras no lago, mas ar límpido, eu adorava
Apenas pão vinho e azeite. O peixe ali o comia
Como um soldado que a todo o custo o inimigo esgrima
Queria limpar os pulmões, e o lago, era minha alegria
Indiferente aos ricos; com filhos e esposa, vivia-mos nossa sina
Amadureci escondido dentro da mina de urânio
Desejando mais sol, mais ar, e mais chuva cada dia
Mas vencendo os mitos da doença com escárnio
Reformei-me para passar meu tempo escrevendo poesia
Assim relembrando começo meio e quase fim da vida
Testemunho do amor família, e nosso viver de alegria
Um lamento... ter a cidadania de minha pátria perdida
Com fome de pão, para vencer todos sarilhos
Dói-me hoje o coração, de ter perdido a pátria de meus filhos


Por: Armando C. Sousa
Canadá -21/05/06