Adoro falar das noites sem sono
Noites que as saudades estacavam as pestanas
As palavras do passado corriam no meu pensar
Meus dedos trêmulos procuravam agarra-las
Crivando verdades, abandonando rezas
Ladainhas criavam vertigens
Mas quando pensava em confessar…
Só o nome dela era sagrado
Sua imagem a meus olhos, a deusa em seu altar
Pronunciar seu nome grande satisfação
Em mim então
Era um ritual que meu corpo amava
Meus olhos procuravam sua chegada à cancela do caminho
Apenas esperando um meigo olhar
Ás escondidas um beijinho…
Estou eu a inventar a solidão
Quando a tenho ali na cozinha...
À mão
Meu olhos venderam a distancia
Meu corpo não quer pensar em ausência
As marcas deixadas por sua ternura
Tem melhor sabor que a doçura
Procuro agarrar a calma que a idade me está a roubar
Devido ao silêncio ter entrado
Minha voz sai desarticulada
Assim me ocorre à lembrança, o tom que estou a dar
Fico a tremer do que estou a pensar
Suplico á clemência da lucidez
Para o silêncio me roubar
Peço à magia do espelho para mentir
E devolva da juventude o sorrir
Que me mostre ainda a flor
Uma das razões do nosso amor
As saudades , que me devolva noites de sono
Ao pensar… a poesia
Razão de meu viver
Horas da minha alegria.


Por: Armando C. Sousa
Canadá - 24/07/04