Mãe,
dei comigo mais uma vez em ti a pensar
Belos momentos em que tu me embalavas
Ainda me lembro quando de manha, me punha a chorar
Esperando a maminha de tua enseada
Mãe, ouve-me... donde estou te peço perdão
Quem me dera ainda tua cabeça em mim encostadinha
Não me esqueço das vezes que choravas por não
ter pão
Para mitigar a fome fazias uma papinha
Sei mãe, que teu coração era moldurado
em ternura
Tua saia foi tantas vezes amparo, me esconder
O não teres pão para me dares era tua maior amargura
Se tinhas, era teu riso de enorme prazer
Recordo Mãe, quando do monte olhavas o espelho do mar
Me dizias, nunca o vi, mas dizem que contem a maior riqueza
Aqui, nós sem lenha ou achas, e por pão a chorar
Somos pobre, plebeus, tudo tem a nobreza
Dizias, filho, a ditadura cria grande desigualdade
Não temos terras para receber o que da a mãe natureza
Espero que teu corpo do trabalho tenha vaidade
E vais viver a vida com mais beleza
Mãe, te escutei, e não me esqueceu o que dizias
então
Assim reduzido à miséria quando casei
Não podia ouvir os filho chorar sem pão
Sem saber mãe, dei-te o ultimo adeus e imigrei
Venci, criei os filhos com pão e alegria
Minha desdita foi nunca mais ver o teu sorrir
Pensando, para ti e outras mães escrevo esta poesia
Sei mãe que bem cedo vou para junto de ti partir
O meu abraço a todas as mães que ao mundo dão
vida
O meu pensar às que partiram e deixaram saudades
A todas que vivem para os filhos com amor
E lutam por igualdade e liberdade
E a futuras mães que deitem vida sem dor.
Por: Armando C.
Sousa
09/05/06
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