Amor, poderás dizer-me onde se esconde a luz da memória?
Onde estará o gorgulhão do meu sangue de rapaz?
Tempo que a linha de fronteira entre nós era historia
Promessas de amor eram sérias; nosso balanço fugaz
Sem meios de sobreviver, o caminho parava no mar
Havia o sonho nosso para satisfazer
Nossos filhos para educar
Adoecestes com depressão mas eu não podia parar
Fazia-me doer o coração; única solução; imigrar
Abracei-te e parti; França era o destino do pão
Encontrei-me sozinho por ti a chorar
Eu de mãos sangrando retalhava o coração
A memória estava iluminada, precisava cumprir
O sangue na terra do pão se juntar
Haver mais prazer, mais aprender e de alegria rir
Pela noite nos abraçar
Afagavas minhas mãos cansadas e doridas do trabalho
A combustão da vida não queimava nosso lar
Jogando cartadas com o mesmo baralho
Sentimos as grutas do medo dadas pela religião
Fechamos as portas a estas coisas irreais
Encontramos um verdadeiro deus em nosso coração
Abraçar essa mentira de deus e diabos; nunca mais
Olhos se abriram, o universo é a maior beleza
A luz da memória do passado escureceu
Dai tomamos como nosso deus, a mãe natureza
E todo o bem que se esconde no céu.


Por: Armando C. Sousa
Canadá - 28/03/06