Longe de ti mãe os caminhos são macios
O luar é igual, sol e rosas também
A maior dificuldade está na lingua e desvios
Mas sinto a profundeza que o amor tem.
Longe
de ti mãe, dias e noites são silenciosas
Falta-me teus conselhos, teus jardins com rosas
Falta-me o aconchego, teus abraços de carinho
Aqui nem nos beirais, pássaros fazem ninho.
Meus
olhos vermelhos de chorar pelos carinhos
Perdidos nas noites frias muito frias deste inverno
Sinto a falta dos amigos, do País desses cantinhos
Das gentes e cantigas, de ti mãe concelhos ternos.
Minha
esposa e filhos tenho-os sempre a meu lado
Ajudam-me a sofrer saudades amor e solidão
Se assim não fosse já á muito tinha voltado
Para não sofrer por mais tempo saudades do torrão
Dinheiro
não falta, entretimento casa e muito pão
Meus filhos tudo tem, se chorarem é sem razão
Aqui não encontro o convívio dos amigos, da
malta
Assim as saudades enlutam o meu destroçado coração.
Mãe
falo contigo mas sei que não me podes escutar
Enfim sei, teu espirito me vê, me guias no trabalhar
Queres que eu te esteja estes versos a escrever
Para ti e para mim , lidos talvez só depois de morrer.
Aqui
na escuridão da mina onde me dizias ser inferno
Daqui tudo levo que se transforma em amor terno
Embora não veja, sol chuva ou vento por muitos dias
Mas é da pedra que eu parto que recebo as alegrias.
Mãe
vi que foste tu que desviaste a pedra, perto caiu
Apenas esfacelando uma das pernas como aviso
Um dos colegas ao ver o espetáculo para mim sorriu
Podias já estar com tua mãe no infinito do paraíso.

Por: Armando
C. Sousa
04/01/1981